O momento de pandemia da COVID-19 está desafiador para todos. O distanciamento social é uma das principais recomendações a serem seguidas como prevenção de disseminação da doença, além de medidas de reforço de higiene pessoal, uso de máscaras, fechamento temporário de serviços que geram aglomeração. Com isso, a forma de trabalhar, estudar, comunicar-se, interagir, locomover-se na sociedade, tarefas vistas como simples e automáticas do cotidiano, precisam ser adaptadas para que se possa acompanhar o panorama atual.

Tendo em vista todas as questões físicas, psicológicas e sociais que envolvem a pandemia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e as Nações Unidas têm apresentado medidas que visam promover saúde e prevenir os efeitos relacionados a este período de isolamento social. A sociedade como um todo necessita de cuidados, porém destaca-se nas pesquisas que os idosos são considerados um dos grupos mais vulneráveis aos efeitos do novo coronavírus. Isso acontece devido a alguns fatores que envolvem o processo de envelhecimento, como a diminuição da resposta do sistema imunológico (imunossenescência), presença de doenças cardíacas e crônicas (como diabetes, hipertensão, câncer) e comorbidades.

Além dos cuidados essenciais recomendados pelas instituições de saúde, deve-se levar em consideração os efeitos sobre a saúde mental dos idosos, principalmente os que apresentam processo demencial e déficit cognitivo. Por demonstrarem alterações emocionais e comportamentais constantes, esses indivíduos podem demonstrar  tristeza, apatia, angústia, labilidade emocional, medo, alterações no ciclo de sono, perda de apetite, entre outras questões.

Muitos idosos vivem no contexto de uma Instituição de Longa Permanência (ILPIs) e, neste momento, sobretudo, várias ações estão voltadas para esta populaçao especificamente, pois, além de serem mais vulneráveis pelas questões já citadas, vivem em ambiente grupal e, em sua maioria, com comprometimentos crônicos de sua saúde física e mental.

As ILPIs  exercem um papel importante no apoio aos idosos que sofrem algum tipo de incapacidade e também às suas familias, garantindo cuidados específicos e constantes. Neste cenário, o ambiente da ILPI deve sofrer adaptações importantes também para manter a segurança dos idosos que lá permenecem. Os cuidados gerais de higiene reforçada, visitas suspensas, paramentação da equipe, restrição de contato físico são algumas das recomendações expressas dos órgãos de saúde. Estando em uma Instituição já é desafiador para o idoso, por estar longe do convivio diário com a familia, mudança de rotina, diferença de personalidades e condições de saúde do grupo. Na atualidade, as mudanças necessárias afetam diretamente o convivio, deixando os idosos mais vulneráveis a reagudização de sintomas psicológicos e rebaixamento cognitivo.

Tendo em vista o trabalho desenvolvido na Clínica Nova Vida, ressalta-se neste texto a importância do Terapeuta Ocupacional e suas atividades para o estímulo dos idosos. Sua intervenção é significativa neste momento, considerando que a atuação envolve desenvolvimento e estimulação de aspectos físicos, psicológicos, psicossociais, ambientais e culturais. Portanto, a presença do profissional poderá auxiliar na organização da rotina deste idoso, minimizando os efeitos negativos relacionados com a pandemia.

Algumas das atividades que podem ser realizadas são:

  • jogos que estimulem componentes cognitivos, mas também proporcionem prazer e diversão;
  • atividades expressivas, em que o idoso possa esboçar seus sentimentos;
  • atividades artesanais, de acordo com a capacidade e interesse de cada idoso;
  • atividades que envolvam movimentos, estímulos sensoriais;
  • uso de tecnologia, como video-chamadas, para se comunicar com familiares e pessoas do seu convívio;
  • atividades com música;
  • exploração dos vários ambientes da casa

Além das ações específicas com os idosos, o Terapeuta Ocupacional também pode atuar juntamente à equipe, realizando orientações para manutenção da rotina na casa, cuidados e manejos. Ações simples como trocar o pijama por outra roupa, cuidar da aparência, valorizar momentos de autonomia, mudar de posição ou de ambiente auxiliam o idoso a sentir que está sendo cuidado e ter diferentes percepções durante seu dia.

É importante ter engajamento de toda equipe multiprofissional dentro da Instituição, para que os desafios deste tempo de pandemia sejam superados da melhor maneira.

 

Referências

LIMA, ROSSANO CABRAL Distanciamento e isolamento sociais pela Covid-19 no Brasil: impactos na saúde mental. Physis: Revista de Saúde Coletiva [online]. v. 30, n. 02, e300214. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0103-73312020300214>. ISSN 1809-4481. https://doi.org/10.1590/S0103-73312020300214. Acesso em 28 Julho 2020.

COVID-19 e o cuidado de idosos : recomendações para instituições de longa permanência / Vilani Medeiros de Araújo Nunes…[et al.]. – Natal, RN : EDUFRN, 2020. 66 p. : il., PDF; 10,1 MB. Disponível em: https://repositorio.ufrn.br/jspui/handle/123456789/28754. Acesso em 28 julho 2020.

CREFITO 1. A Atuação do terapeuta ocupacional na área de saúde mental. Disponível em: http://www.crefito1.org.br/noticias/6296/a-atuacao-do-terapeuta-ocupacional-na-area-da-saude-mental-em-tempos-de-coronavirus. Acesso em 30 Julho 2020

Boas práticas para as Instituições de Longa Permanência para Idosos no enfrentamento da pandemia de Covid-19 [recurso eletrônico] : estratégias e protocolos. / Rosalina Aparecida Partezani Rodrigues (coordenação) ; Frente Nacional de Fortalecimento às Instituições de Longa Permanência para Idosos. — Brasília : FN-ILPI, 2020. E-book (69 p. : il.). Disponível em: https://sbgg.org.br/wp-content/uploads/2020/06/FN-BOAS-PRA%CC%81TICAS-FICHA-C.pdf. Acesso em 30 julho 2020.